“Viver e não ter a vergonha de ser feliz, cantar e cantar e cantar, a beleza de ser um eterno aprendiz.”.
Foi assim, ao som do coro de 29 mulheres, após a construção de um plano de incidência política para cada estado do Nordeste, que foi concluída a Oficina em Direitos Sexuais e Reprodutivos, Violência e AIDS para Mulheres Soropositivas da Região, realizada pela Gestos, em Recife, entre os dias 23 e 27 de setembro.
Foram quatro dias de intensas discussões e aprendizados, contribuindo para o fortalecimento político de lideranças de mulheres soropositivas para atuação em espaços de controle social. Durante a oficina, elas também construíram o perfil dos seus estados no que diz respeito aos avanços e desafios nas políticas públicas para as pessoas Vivendo com HIV/AIDS, principalmente para as mulheres. O momento foi muito importante para a integração entre os estados e para a troca de experiências sobre o controle social de políticas públicas.
OFICINAS - Em meio às oficinas de liderança, violência contra a mulher, feminismo e advocacy, as mulheres foram vivenciando e entendendo o sentido de monitorar as metas da UNGASS-AIDS, através de reflexões e compartilhamento de lições aprendidas. Notícias do mundo inteiro foram utilizadas na oficina de políticas nacionais e internacionais, com o objetivo de avaliar os acontecimentos do mundo e relacioná-los com o enfrentamento da epidemia e a vulnerabilidade para o HIV/AIDS, além de reforçar a ligação entre os acordos internacionais e as políticas locais.
A relação entre AIDS, pobreza e analfabetismo foi um dos pontos que chamou a atenção das participantes, que reforçaram a importância de
intensificar os trabalhos de prevenção nos municípios e estados, através de sensibilização de políticos e legisladores. A análise, em grupo, das metas da UNGASS-AIDS também trouxe à tona os problemas vivenciados por todos os estados: a falta de financiamentos de programas de prevenção, dificuldades enfrentadas pelas gestantes HIV+ – relato de casos nos quais elas não recebem resultados de teste a tempo, e não têm o aconselhamento apropriado, incluindo informações sobre parto e lactação – a necessidade de pesquisas específicas sobre uso de anti-retrovirais e efeitos colaterais no corpo das mulheres e o impacto sócio-econômico da AIDS na vida delas, que ainda é permeada de preconceito e discriminação. Mulheres de todos os estados relataram problemas na implementação do Plano de Enfrentamento da Feminização da AIDS.
Como principal produto da oficina, o plano de incidência política por estado, consolidado no último dia, visa criar estratégias de trabalho para o enfrentamento de alguns destes problemas. Cada estado apontou suas principais questões e buscou listar ações e possíveis parceiros. A idéia é que as mulheres possam implantar o plano de forma articulada e estratégica. Outro encontro acontecerá nos próximos seis meses para podermos avaliar as ações e traçar novos planos.